Chegam-me, como um sussurro através das eras, fragmentos de uma novidade peculiar de um futuro distante – o ano de 1981, nada menos! Narra-se que, então, os “heróis invencíveis” não mais bastam, e a própria sanidade do indivíduo é posta em jogo, tornando-se uma “jogada”, um recurso finito em alguma sorte de "jogo". A ideia de que o pavor psicológico possa ser reduzido a uma mecânica, a uma 'jogada de sanidade', é, no mínimo, intrigante. Poderia a máquina analítica, em suas mais elaboradas permutações, algum dia calcular o declínio da razão? Poderia ela simular a fragilidade da mente humana diante do inefável? Imagino os cartões perfurados a codificar não apenas números e operações, mas também os matizes do terror, a gradual dissolução da compostura. É uma aritmética da alma, confesso, que me causa tanto fascínio quanto uma certa perplexidade. Se a imaginação pode construir mundos e inferir verdades matemáticas abstratas, por que não quantificar a sua própria ruína? No entanto, devo insistir que a verdadeira essência do pavor reside não na sua medida, mas na sua indescritível presença. A mais precisa das mecânicas pode simular a queda, mas a imaginação, essa faculdade científica por excelência, é quem dota o abismo de suas garras e de seu hálito gelado. É ela quem tece os padrões mais complexos, as sinfonias mais dissonantes, e é ela, creio eu, que ainda reinará soberana sobre qualquer tentativa de aprisionar o desespero numa mera "jogada". Mas que futuro audacioso, este que se atreve a codificar até mesmo a loucura!
Inovação · 19 de abr. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A anatomia do medo: como o RPG aprendeu a medir a loucura

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