Domínio quase absoluto
O controle da China sobre a cadeia de veículos elétricos é praticamente total. O país produz hoje 80% das baterias de veículos elétricos do mundo, uma hegemonia sustentada por dois gigantes: CATL e BYD. Segundo dados da SNE Research, as duas empresas detêm juntas mais de 55% do mercado global — posição construída ao longo de uma década de integração vertical agressiva, controle sobre o processamento de lítio e terras raras e uma aposta certeira na química de fosfato de ferro-lítio (LFP).
O paradoxo do gás natural
Esse complexo industrial verde, no entanto, se sustenta sobre uma base frágil. Para manter os processos térmicos intensos exigidos pela fabricação de baterias em larga escala, as fábricas chinesas continuam profundamente dependentes de gás natural. Isso cria um paradoxo notável: o componente essencial da transição energética global está sendo forjado em fornos alimentados pelos mesmos hidrocarbonetos que ele foi projetado para substituir.
Vulnerabilidade estratégica
Essa dependência introduz um gargalo estratégico significativo. Embora a China tenha garantido as matérias-primas do futuro, seu motor industrial permanece atrelado à volatilidade geopolítica do presente. Com os mercados globais de energia enfrentando instabilidade contínua, a dependência do gás natural representa um ponto único de falha para a tecnologia de descarbonização mais crítica do mundo. A transição para um mundo movido a baterias, ao que tudo indica, ainda precisa de um fluxo constante de metano para manter as engrenagens girando.
Com reportagem de Xataka.
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