Durante décadas, a chegada da Copa do Mundo ao calendário brasileiro foi menos um evento esportivo e mais uma liturgia laica. Era um período de suspensão nacional: ruas pintadas de amarelo-canário, comércio de portas fechadas e o humor coletivo do país oscilando conforme o destino da Seleção. Novos dados, porém, indicam que esse alicerce cultural está se deslocando. Segundo pesquisa recente do Datafolha, o desinteresse do brasileiro pelo torneio atingiu um recorde histórico.
O levantamento revela uma população cada vez mais desconectada de sua seleção. Com a próxima edição do torneio programada para ser disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, a maioria dos brasileiros afirma não ter intenção de acompanhar os jogos. Essa apatia não é mera reação a uma sequência de fracassos táticos — ela reflete uma erosão mais ampla da crença, outrora inabalável, de que a Seleção segue sendo o principal veículo da identidade brasileira no cenário global.
Com a competição se aproximando, a falta de entusiasmo representa um desafio significativo para os sistemas comerciais e sociais que há muito dependem da força gravitacional da Copa. Para uma nação que essencialmente se definiu pelo "jogo bonito", o silêncio atual sugere uma virada profunda. O Brasil pode continuar sendo o país do futebol, mas seus cidadãos buscam, cada vez mais, outros ícones.
Com reportagem de Exame Inovação.
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