No cenário volátil do varejo brasileiro, a fronteira entre vender roupas e operar um banco já é difusa há tempos. A Midway, braço financeiro da grande varejista de moda Riachuelo, está testando os limites dessa integração. Apesar de um ambiente macroeconômico marcado por juros persistentemente altos, a empresa sinalizou uma expansão agressiva de suas operações de crédito, indo além do cartão de loja para produtos financeiros mais complexos.

A peça central dessa estratégia é a entrada no crédito consignado. No mercado brasileiro de concessão de crédito de alto risco, o consignado é considerado uma força estabilizadora — os pagamentos são descontados diretamente do salário do tomador, o que reduz significativamente a inadimplência. Para a Midway, o movimento representa uma migração calculada do universo de alta velocidade e alto risco do crédito ao consumo no varejo para uma modalidade de empréstimo mais institucionalizada, capaz de resistir a oscilações fiscais.

A expansão sugere uma tendência mais ampla entre os "bancos de varejo" latino-americanos de fortalecer seus ecossistemas. Ao aprofundar a relação financeira com o consumidor, a Riachuelo não está apenas financiando um guarda-roupa — está tentando capturar uma parcela maior da vida financeira total da família. Se essa ambição consegue escalar num período de liquidez restrita é a pergunta central para o ano que vem.

Com reportagem de Exame Inovação.

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