Hardware que dura: a aposta da LG contra a obsolescência
No disputado mercado de eletrônicos de consumo, a LG Iberia se consolidou como um polo experimental improvável. Comandada por Jaime de Jaraíz — um dos raros presidentes não coreanos nos quadros executivos da companhia —, a subsidiária espanhola testa um modelo de negócio que prioriza a longevidade em detrimento do ciclo habitual de obsolescência programada da indústria. No centro dessa estratégia está uma "garantia vitalícia" para eletrodomésticos, um movimento que Jaraíz enquadra não como filantropia corporativa, mas como uma aposta calculada no valor econômico da engenharia de alto padrão.
A física da luz: por que o OLED ainda vence
A mesma filosofia se estende ao domínio da empresa em tecnologia de displays. Apesar do avanço de alternativas como MiniLED e "MicroRGB", Jaraíz segue como defensor convicto do OLED. Seu argumento está enraizado na física fundamental da luz: qualquer sistema baseado em LED, por mais miniaturizado que seja, sofre inerentemente de "contaminação luminosa", o chamado blooming. O OLED, por outro lado, conta com pixels autoemissivos que permitem pretos verdadeiros — uma distinção técnica que, na visão de Jaraíz, sustentará o posicionamento premium da marca diante de concorrentes chineses cada vez mais agressivos.
Lição do smartphone: o foco no ecossistema doméstico
Esse foco na integridade do hardware reflete uma memória institucional mais ampla da LG, que notoriamente abandonou o mercado de smartphones após não conseguir se firmar no segmento. Em vez de perseguir cada tendência digital passageira, a empresa redobra a aposta no "ecossistema doméstico" — lavadoras, geladeiras e televisores — onde a confiabilidade física ainda sustenta um preço premium. Numa era em que software e IA frequentemente ofuscam as máquinas que habitam, a LG aposta que o futuro da casa depende de um hardware que simplesmente se recusa a quebrar.
Com reportagem de Xataka.
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