A lógica fria da redundância humana

O mundo corporativo está obcecado pela "estrela-guia" da redundância humana. Da substituição projetada de 7.800 funções pela IBM ao enxugamento agressivo da Klarna em favor de assistentes de IA, a trajetória segue uma lógica interna fria e convincente. Ao automatizar trabalho cognitivo rotineiro e reduzir posições juniores, conselhos de administração esperam ver ganhos de produtividade se acumularem ano após ano. Nessa visão, a IA é o motor de combustão interna do século 21 — uma força inevitável que faz os modelos de trabalho da era anterior parecerem uma charrete.

O piso sobe, mas o teto baixa

Contudo, ao terceirizar a "carga cognitiva", podemos estar achatando inadvertidamente o relevo da produção humana. Um estudo de 2024 no Reino Unido, com 300 escritores, ilumina essa tensão. Quando solicitados a produzir ficção curta, os participantes auxiliados pelo GPT-4 foram avaliados, em média, como mais criativos do que os que trabalharam sozinhos. À primeira vista, o resultado parece validar o papel da máquina como multiplicador criativo — uma ferramenta que eleva o piso do desempenho humano.

A regressão à média algorítmica

O risco, porém, está no teto. Esse "impulso moral" pela automação pressupõe que a inteligência é uma performance solo que pode ser aprimorada com um processador melhor. Mas se cada escritor, programador e estrategista recorre aos mesmos modelos subjacentes para otimizar seu trabalho, o resultado coletivo é uma regressão a uma média polida e algorítmica. Podemos estar ganhando eficiência ao custo exato dos outliers e das perspectivas idiossincráticas que definem a inovação verdadeira.

Com reportagem de 3 Quarks Daily.

Source · 3 Quarks Daily