Um espaço que resiste ao tempo

Existe um tipo específico de resistência na relação de Celia Paul com seu espaço de trabalho. A pintora britânica se mudou para seu apartamento em Bloomsbury em 1982, aos 22 anos, e permanece ali há 44 anos. Nesse período, o bairro londrino deixou de ser um enclave discreto e pouco frequentado para se tornar um destino turístico movimentado — mas o mundo interior de Paul segue notavelmente inalterado. Seu ateliê é despojado e organizado, uma manifestação física da estética introspectiva e contida que define sua obra.

O ritual da luz da manhã

O processo de Paul é regido pelo ritmo da luz matinal. Seu dia costuma começar às 5h da manhã, indo direto de uma xícara de chá para o cavalete. Enquanto o início de sua carreira era marcado pela presença de modelos — o que exigia um período de quietude meditativa antes da chegada deles, para garantir que estivesse "receptiva" —, sua prática atual é em grande parte solitária. Essa virada em direção ao isolamento permitiu que ela estruturasse o tempo inteiramente em torno de seus próprios impulsos criativos, alternando com frequência entre o escrutínio intenso de um autorretrato e as pinceladas amplas e fluidas de uma marinha.

Um arquivo vivo

A longevidade de sua permanência em Bloomsbury sugere uma recusa à tendência contemporânea de artistas que saltam de ateliê em ateliê. Em vez disso, Paul tratou sua casa como um arquivo vivo de seu desenvolvimento. Ao eliminar a distância entre vida doméstica e produção artística, ela criou um espaço em que o ambiente não apenas abriga a arte, mas informa seu próprio temperamento.

Com reportagem de Hyperallergic.

Source · Hyperallergic