No campo de refugiados de Aysaita, no nordeste da Etiópia, a logística da sobrevivência consome tudo. Para os 40.000 refugiados eritreus que vivem ali, as prioridades imediatas são evidentes: comida, água e atendimento médico. Mas para as 10.000 crianças com menos de dez anos, existe um déficit secundário, frequentemente ignorado. Na paisagem rígida de um campo de assistência humanitária, a oportunidade de brincar sem roteiro — um motor fundamental do desenvolvimento cognitivo e emocional — costuma simplesmente não existir.

A Playrise, organização britânica sem fins lucrativos fundada no início de 2024, busca preencher essa lacuna por meio de design industrial intencional. Criada por Alexander Meininger, a entidade produz kits modulares de playground, montáveis como peças de Lego, projetados especificamente para instalação rápida em zonas de conflito e desastre. Os kits são intuitivos e adaptáveis, oferecendo uma estrutura física para crianças cujas vidas foram definidas pelo deslocamento forçado. Meininger concebeu o projeto depois de observar a importância do brincar no desenvolvimento de seus próprios filhos — ao mesmo tempo em que acompanhava o número crescente de menores deslocados por guerras na Ucrânia, em Gaza e no Sudão.

A iniciativa se apoia em um corpo de pesquisa que indica que o brincar não é luxo, mas necessidade terapêutica. Para além do desenvolvimento motor e da formação de vínculos sociais, o brincar oferece algo raro a crianças em ambientes extremos: um senso de autonomia. Ao introduzir essas estruturas em campos onde os recursos são escassos, a Playrise pretende funcionar como força estabilizadora — um pequeno santuário modular onde o trabalho essencial de ser criança pode recomeçar em meio ao caos das crises globais.

Com reportagem de Fast Company Design.

Source · Fast Company Design