Arqueólogos que trabalham no nordeste da Romênia desenterraram os restos de uma "megaestrutura" de 6 mil anos, uma descoberta que desafia o que se sabe sobre a organização social na Europa neolítica. Localizado no sítio de Stăuceni-"Holm", o edifício ocupa cerca de 353 metros quadrados — muito além do tamanho das habitações típicas da cultura Cucuteni-Trypillia, que floresceu entre 5.050 e 2.950 a.C. Posicionada de forma proeminente na entrada do assentamento, a estrutura parece ter funcionado como centro comunitário ou administrativo, projetado para ser visível e abrigar assembleias coletivas.
A arquitetura do edifício é tanto um enigma sociológico quanto físico. Segundo estudo publicado na revista PLOS One, o sítio é uma de apenas seis megaestruturas desse tipo investigadas em detalhe. Sua escala sugere uma sociedade altamente organizada, capaz de empreender construções de grande porte, mas a ausência de artefatos domésticos — como pedras de moer — e de estatuetas rituais a distingue das unidades residenciais ao redor. Esse vazio levou os pesquisadores a teorizar que o espaço era estritamente público, talvez até um local de negociação de poder.
O aspecto mais intrigante é a possível evidência de resistência social. Os pesquisadores sugerem que a configuração e o uso específicos dessas megaestruturas podem indicar uma "ascensão e rejeição de sistemas hierárquicos". Em vez de sinalizar a consolidação de uma classe dominante, esses salões podem ter sido respostas comunitárias à desigualdade emergente — um esforço deliberado dos habitantes do assentamento para preservar um tecido social igualitário diante da influência de novos indivíduos de posição mais elevada.
Com reportagem de ARTnews.
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