Uma missão impossível por definição

A premissa da "Greater New York", no MoMA PS1, é, por definição, uma tarefa inglória. Tentar fazer um panorama do mundo artístico da cidade equivale a engarrafar uma tempestade — o resultado é inevitavelmente desajeitado, disperso e incompleto. Ainda assim, é justamente essa falta de coesão que espelha a própria cidade: um lugar definido pelo atrito de oito milhões de perspectivas concorrentes e pela arquitetura compartilhada de uma ilha de concreto.

Cacofonia em vez de tese

Em sua edição mais recente, a exposição reúne mais de 150 obras de 50 artistas, navegando a linha tênue entre o institucional e o visceral. Trata-se de um conjunto que resiste a uma narrativa única, optando por uma cacofonia de vozes que reflete a beleza implacável e irritante da cidade. Os curadores parecem menos interessados em uma tese polida do que em capturar a energia bruta de um ecossistema criativo que se recusa a ser categorizado.

Os bichos e as ruas

Entre os destaques está "The Cats and the Rats", de Dean Millien, uma série de esculturas feitas em papel-alumínio. A obra funciona como uma carta de amor tátil aos moradores não humanos da cidade — os organismos com os quais os nova-iorquinos dividem metrôs e vielas. Ao elevar essas pragas e predadores urbanos por meio de um material humilde e cotidiano, Millien ancora a exposição na realidade áspera e compartilhada da vida metropolitana.

Retrato de uma cidade em movimento

No fim das contas, "Greater New York" funciona não por alcançar cobertura total, mas por reconhecer sua própria impossibilidade. A mostra opera como um instantâneo periódico de uma cidade em fluxo constante, lembrando que a arte mais instigante costuma nascer da luta por conviver num lugar superlotado, teimoso e infinitamente fascinante.

Com reportagem de Hyperallergic.

Source · Hyperallergic