A eleição presidencial do Peru mergulhou num limbo administrativo prolongado. As autoridades eleitorais tentam resolver mais de 15 mil cédulas contestadas que travaram a consolidação dos resultados do primeiro turno. Com cerca de 93% dos votos apurados, o Conselho Nacional Eleitoral (JNE) sinalizou que a contagem definitiva provavelmente só será concluída em meados de maio — um atraso que expõe a fragilidade da infraestrutura democrática do país.

Os dados parciais colocam Keiko Fujimori na liderança, com aproximadamente 17% dos votos, mas a disputa pela segunda vaga no segundo turno de junho permanece em empate técnico. Roberto Sánchez e Rafael López Aliaga aparecem empatados com cerca de 12% cada, o que significa que a resolução das cédulas contestadas não é mera formalidade — é o fator decisivo para o futuro político imediato do país. O cenário se agrava por falhas logísticas em Lima, onde atrasos na distribuição de materiais obrigaram diversas seções eleitorais a estender o horário de funcionamento para acomodar dezenas de milhares de eleitores que chegaram tarde.

O impasse eleitoral chega num momento de profundo esgotamento institucional. O eventual vencedor será o nono presidente do Peru em apenas dez anos — uma taxa de rotatividade que evidencia uma década de instabilidade crônica nas instituições do país. Enquanto o JNE analisa cada contestação, o atraso funciona como um lembrete silencioso da distância crescente entre a velocidade das crises políticas e os mecanismos deliberados, muitas vezes lentos, do direito eleitoral.

Com reportagem de InfoMoney.

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