A relação entre a arquitetura interna de um organismo e seu comportamento observável é, há muito tempo, uma caixa-preta da neurociência. Embora seja possível observar um animal reagindo ao ambiente, rastrear o caminho neural específico que liga um estímulo sensorial a uma ação física é uma tarefa de enorme complexidade. Agora, pesquisadores do Picower Institute for Learning and Memory, no MIT, oferecem um olhar raro e detalhado sobre esse processo ao mapear os circuitos do nematoide C. elegans.

Conduzido por Steven Flavell e Talya Kramer, o estudo publicado na Nature Neuroscience descreve como esses vermes microscópicos navegam por meio de sinais olfativos. O processo vai além de um reflexo simples: trata-se de uma sequência coordenada de percepção, planejamento e execução. Como o C. elegans muda de direção recuando — de forma semelhante a um carrinho de controle remoto básico —, o cérebro precisa gerenciar uma transferência sofisticada entre os neurônios que identificam o odor e aqueles que disparam o pivô para trás, seguido de um avanço para a frente.

Ao identificar os neurônios específicos responsáveis por cada etapa dessa coreografia de navegação, a equipe do MIT avançou rumo a uma compreensão mecanicista de como cérebros implementam comportamentos. É um passo fundamental na decodificação da lógica que permite a sistemas vivos converter informação em intenção — e intenção em movimento.

Com reportagem de MIT News.

Source · MIT News