O polo sul lunar deixou de ser uma curiosidade científica distante para se tornar o terreno mais disputado do sistema solar. Ainda este ano, duas das missões robóticas mais sofisticadas já concebidas tentarão pousar nas proximidades da borda da Cratera Shackleton, um local onde sombras permanentes abrigam vastos reservatórios de gelo de água. Não se trata apenas de uma corrida por prestígio, mas de uma competição para garantir os recursos necessários a uma presença humana sustentada além da Terra.
A Blue Origin, de Jeff Bezos, colocará em campo a espaçonave Endurance, um módulo de pouso tão grande que faz parecer pequenos os módulos lunares do programa Apollo que levaram astronautas meio século atrás. Recentemente transferida do Johnson Space Center da NASA para Cabo Canaveral, a Endurance passa agora pelos preparativos finais para seu voo inaugural no topo do foguete pesado New Glenn. A missão representa um momento decisivo para a Blue Origin, que faz a transição do turismo suborbital para a linha de frente da logística espacial profunda.
Ao mesmo tempo, a missão chinesa Chang'e 7 chegou ao Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na ilha de Hainan. Embora o módulo de pouso seja menor que o equivalente americano, a arquitetura da missão é notavelmente complexa: inclui um orbitador, um rover e um drone "saltador" especializado, projetado para saltar até as profundezas sem luz da cratera e coletar amostras de gelo diretamente. A chegada de ambas as missões às suas respectivas plataformas de lançamento marca a passagem do planejamento teórico para a realidade concreta de uma nova era lunar.
Com reportagem de Ars Technica Space.
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