O preço de estar na Copa
Para o torcedor de futebol ao redor do mundo, o caminho até a Copa de 2026 está cada vez mais pavimentado por obstáculos financeiros. Estimativas recentes indicam que um casal brasileiro que pretenda acompanhar o torneio presencialmente pode enfrentar custos totais entre R$ 34.400 e R$ 50.000 (cerca de US$ 6.700 a US$ 9.700), considerando desde ingressos até logística de viagem. No evento Semafor World Economy, em Washington, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, abordou o espanto crescente com os valores e enquadrou a política de preços não como uma barreira de acesso, mas como uma necessidade estrutural da entidade que governa o futebol mundial.
A lógica do ciclo quadrienal
A defesa de Infantino se apoia na natureza peculiar — quase precária — do balanço financeiro da FIFA. Como organização sem fins lucrativos, a entidade extrai a ampla maioria de sua receita de um único mês de atividade a cada quatro anos. Essa receita concentrada precisa sustentar as operações e os programas de desenvolvimento ao longo dos anos seguintes. Na visão de Infantino, a Copa do Mundo é o motor principal que financia todo o ecossistema do futebol internacional, o que exige uma estratégia de preços capaz de maximizar retornos durante a breve janela de maior relevância comercial.
Raízes populares, realidade comercial
Embora o presidente tenha destacado que as faixas de ingressos continuam diversificadas — de assentos básicos a camarotes de luxo —, o piso cada vez mais alto dos custos de presença escancara a tensão entre as raízes populares do futebol e suas realidades comerciais. Para muitos torcedores, o sonho de assistir ao espetáculo ao vivo está se tornando um projeto financeiro de longo prazo, que exige anos de poupança disciplinada para cobrir a distância entre a paixão e o preço da entrada.
Com reportagem de InfoMoney.
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