Quando Tim Cook assumiu o comando da Apple em 2011, a ansiedade dominante era se um especialista em logística conseguiria sustentar o ímpeto criativo de Steve Jobs. Cook respondeu ao ceticismo não com reinvenção radical, mas com uma década de refinamento disciplinado e implacável. Transformou a Apple numa potência econômica global por meio de maestria em cadeia de suprimentos e excelência incremental em hardware. Agora, com o anúncio de que Cook fará a transição para o cargo de presidente executivo do conselho em setembro, o bastão passa a John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware da companhia.

Ternus representa um retorno ao arquétipo do "homem de produto", mas sua gestão começa num momento em que o hardware, sozinho, já não dita o ritmo da indústria. Embora tenha sido peça-chave na transição para o Apple Silicon e no design do Mac e do iPhone modernos, seu maior obstáculo será intangível. A próxima era da computação pessoal está sendo moldada pela IA generativa e por ecossistemas de software cada vez mais complexos — territórios nos quais a Apple se encontra, recentemente, numa postura mais defensiva.

A transição é notavelmente desprovida do pavor existencial que acompanhou a nomeação de Cook. A Apple continua sendo a mais formidável empresa de eletrônicos de consumo do mundo, mas o "cara do hardware" no topo precisa agora provar que é capaz de conduzir um futuro em que software vem primeiro. O sucesso de Ternus provavelmente dependerá de sua capacidade de unir o lendário design industrial da Apple à agilidade necessária para competir num cenário cada vez mais definido pela inteligência artificial.

Com reportagem de Fast Company.

Source · Fast Company