Registros digitais de uma fase ingrata

A trajetória de uma carreira criativa raramente segue uma linha ascendente. Na maioria das vezes, trata-se de uma sucessão de experimentos de autoapresentação — muitos dos quais sobrevivem nos registros digitais "amaldiçoados" dos primórdios da internet. Em uma nova reportagem da i-D, um grupo de designers, músicos e comentaristas — entre eles Sebastian Croft e Goldie — revisita os tropeços estéticos que marcaram seus anos de formação, de frinjas emo a períodos de autodescoberta que eles próprios descrevem como "afetados".

Essas fases de "autoinvenção", como a designer Joyce Bao define sua mudança de Michigan para Xangai, costumam vir acompanhadas de uma profunda crise de identidade. Ainda assim, são elas que fornecem a base insubstituível para uma voz criativa madura. Seja o músico Croft olhando para trás e reconhecendo um corte de cabelo que o fazia parecer um "professor de dança de 38 anos", seja a escritora Ashley Ogawa Clarke lembrando de sua passagem pela American Apparel durante uma "fase Goldsmiths" — esses momentos funcionam como um laboratório indispensável para as personas que viriam a habitar.

A vantagem estratégica do patinho feio

Há uma vantagem tática em ser o "patinho feio" de um grupo social. O designer Oscar Ouyang sugere que o desconforto de não se encaixar funciona como catalisador de crescimento, permitindo que se avance além de pares que talvez tenham se acomodado cedo demais em convenções. No mundo de apostas altas da moda e do comentário cultural — onde, como observa Kim Russell, até seus looks mais questionáveis podem hoje estar eternizados no Getty Images —, o constrangimento não é um passivo. É a fricção necessária para afiar uma perspectiva singular.

Com reportagem de i-D.

Source · i-D