Na paisagem desértica ao longo do Mar Vermelho, um gigante adormecido está despertando. A Arábia Saudita retomou oficialmente as obras da Jeddah Tower, um empreendimento arquitetônico que busca fazer o que nenhuma estrutura fez antes: alcançar a marca de 1.000 metros de altura. Concebido originalmente como a joia da coroa da Jeddah Economic City, o projeto representa uma volta às apostas em infraestrutura física de grande escala, após anos de atrasos e recalibragem econômica.
Projetada pelo escritório Smith + Gill Architecture, a forma da torre é ditada pela física das altitudes extremas. Sua base em Y, com três asas, não é meramente estética — trata-se de uma escolha aerodinâmica estratégica para "confundir" o vento, dissipando os vórtices que podem fazer edifícios altos balançar de forma perigosa. Abaixo da superfície, a estrutura se apoia em uma extensa rede de estacas de concreto de alta resistência, cravadas em profundidade no solo costeiro para sustentar um peso que desafia os limites da ciência dos materiais.
O caminho até as nuvens não foi nada linear. Desde que as fundações foram lançadas em 2013, o projeto enfrentou crises financeiras e reestruturações internas, e sua estrutura esquelética permaneceu como um monumento silencioso durante boa parte da última década. Com a designação de novos consórcios de construção em 2024, a engrenagem logística — incluindo um conjunto de guindastes especializados para altitudes extremas, únicos no mundo — voltou a funcionar. A torre se coloca agora como um caso de teste para saber se a era dos arranha-céus "megatall" segue como símbolo definitivo da infraestrutura global.
Com reportagem do Olhar Digital.
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