Os Estados Unidos vão sediar nas próximas semanas uma série de discussões no âmbito do G20 centradas nos efeitos desestabilizadores do conflito no Oriente Médio sobre a oferta global de alimentos e fertilizantes. Na condição de presidente rotativo do grupo, Washington intensifica a pressão por uma resposta internacional coordenada para proteger as cadeias de valor agrícolas dos choques provocados pela guerra regional e pela volatilidade dos mercados de energia.

A iniciativa sucede reuniões recentes de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 realizadas em paralelo às sessões de primavera do FMI e do Banco Mundial. Um rascunho da declaração da presidência, divulgado em substituição a um comunicado final de consenso, revela um cenário diplomático com dificuldade para encontrar terreno comum. Embora autoridades tenham reconhecido o impacto econômico severo da guerra sobre os mercados agrícolas, o grupo ainda não formalizou um acordo definitivo sobre como garantir o acesso a fertilizantes em meio às disrupções em curso.

A urgência dessas conversas é sublinhada pela situação precária do mercado global de energia. Com os preços do petróleo reagindo de forma acentuada às tensões no Estreito de Ormuz, o custo dos insumos agrícolas permanece atrelado a pontos de tensão geopolítica. Para os EUA e seus parceiros, o desafio está em desacoplar sistemas alimentares essenciais da volatilidade imediata do Oriente Médio — tarefa cada vez mais difícil diante das próprias divisões internas do G20.

Com reportagem de InfoMoney.

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