O minidólar (WDOK26) tocou recentemente um patamar técnico e psicológico relevante, ao fechar em 4.990 pontos — na prática, a marca de R$ 5,00. A queda de 0,32% renovou a mínima do ano e foi impulsionada menos por fatores domésticos do que por uma mudança perceptível no sentimento global de risco. Para operadores, o rompimento sugere uma pressão vendedora sustentada, reflexo de uma recalibragem mais ampla da força do dólar frente a moedas de mercados emergentes.

O principal catalisador desse movimento foi o arrefecimento repentino da fricção geopolítica no Oriente Médio. A notícia de que o Irã reabriu o Estreito de Ormuz ao tráfego comercial funcionou como válvula de alívio para os mercados globais. Com a redução do risco percebido de um conflito regional mais amplo, o preço do petróleo recuou em direção à marca de US$ 90 por barril, e a busca agressiva por ativos de proteção — o clássico "flight to quality" que costuma fortalecer o dólar americano — começou a perder fôlego.

No Brasil, esse degelo externo se traduziu em valorização do real e queda correspondente nos juros futuros. Do ponto de vista técnico, o minidólar segue fragilizado, negociando consistentemente abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos nos gráficos de curto prazo. Embora o mercado continue vulnerável a repiques súbitos caso os esforços diplomáticos fracassem, a trajetória atual sugere um otimismo cauteloso de que o pico do aperto cambial recente pode ter ficado para trás.

Com reportagem de InfoMoney.

Source · InfoMoney