Eficiência acima do cuidado

No avanço pela digitalização da atenção primária, a gigante sueca de saúde digital Kry — conhecida em outros mercados como Livi — enfrenta um acerto de contas sobre a industrialização da relação médico-paciente. Uma investigação recente da Ekot, emissora de rádio pública da Suécia, expôs uma cultura de "linha de montagem" dentro da empresa, em que métricas de eficiência parecem ter se sobreposto à profundidade clínica.

O relatório descreve um sistema no qual médicos eram incentivados a atender até dez pacientes por hora. Para garantir esse ritmo, a Kry teria implementado uma estrutura de bônus que recompensava financeiramente a velocidade dos profissionais. Embora plataformas digitais prometam aliviar a sobrecarga de clínicas tradicionais, os achados sugerem que a busca por escala impulsionada por venture capital pode estar criando um ambiente precário, no qual consultas médicas são tratadas como commodities de alto volume.

Reação chega ao governo

A repercussão alcançou os níveis mais altos da política sueca. Investigadores do governo agora propõem uma mudança estrutural na forma como provedores digitais de saúde são remunerados. Ao abandonar modelos de pagamento que privilegiam volume bruto, os reguladores esperam desvincular o lucro do cronômetro. O desafio para a Kry — e para o setor de telemedicina como um todo — será provar que um atendimento "sem fricção" não acaba se tornando um atendimento ralo demais.

Com reportagem de Breakit.

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