A economia digital contemporânea opera sob a premissa de que a atenção humana é um recurso renovável e industrial — um poço infinito do qual se pode extrair dados e engajamento sem fim. Em artigo publicado no Le Monde, porém, um grupo de especialistas argumenta que essa mercantilização ignora uma realidade biológica fundamental: o cérebro humano não foi projetado para a estimulação perpétua e de alta velocidade exigida pelas plataformas de redes sociais atuais.
Essa "economia da atenção" depende de ciclos de retroalimentação algorítmica que priorizam o engajamento acima da saúde cognitiva. Ao tratar o foco como matéria-prima a ser colhida, as plataformas criaram um ambiente de interrupção constante. Os especialistas sustentam que não se trata apenas de uma questão de produtividade, mas de saúde pública — já que os sistemas neurológicos que governam a recompensa e a atenção estão sendo levados além de seus limites evolutivos.
A vulnerabilidade é mais aguda entre crianças e adolescentes, cujos cérebros ainda em desenvolvimento estão formando as funções executivas necessárias para resistir a essas armadilhas digitais. Os especialistas pedem uma "proteção reforçada" para usuários mais jovens, argumentando que os marcos regulatórios atuais não levam em conta o custo psicológico da estimulação industrializada. Proteger a próxima geração, sugerem, pode exigir uma reformulação profunda de como valorizamos a mente humana no espaço digital.
Com reportagem de Le Monde Sciences.
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