Por décadas, o computador quântico foi mais promessa do que produto — um arranjo delicado de laços supercondutores ou íons aprisionados que existia exclusivamente no isolamento ultrafrio dos laboratórios de física. O desafio nunca se resumiu a fazer um qubit funcionar; era fazê-los funcionar aos milhões, simultaneamente. Até pouco tempo atrás, os processos de fabricação exigidos por essas máquinas eram fundamentalmente incompatíveis com a litografia de alto volume que define a computação moderna.

Esse impasse industrial se rompeu no início de 2024, quando a Intel e o instituto de pesquisa QuTech conseguiram produzir qubits usando técnicas padronizadas de fabricação de semicondutores. Ao reaproveitar a infraestrutura existente de silício, demonstraram que o chip quântico podia ser tratado como uma evolução do transistor, e não como uma ruptura total com ele. Essa passagem do trabalho artesanal sob medida para a fabricação industrial representa um ponto de inflexão crítico para o setor.

O impulso agora se espalha. A GlobalFoundries começou a adotar estratégias semelhantes, apostando que o caminho até um computador quântico universal passa pelo refinamento dos processos de silício já existentes. Ao alavancarem os trilhões de dólares já investidos em fabricação de semicondutores, a indústria tenta contornar os gargalos de escala que, por muito tempo, mantiveram a vantagem quântica sempre fora de alcance.

Com reportagem de Xataka.

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