A advocacia sempre se definiu pela permanência — tribunais revestidos de madeira, volumes encadernados em couro e um ritmo de mudança deliberado, muitas vezes glacial. Quando a tecnologia consegue se infiltrar, os resultados costumam virar histórias de advertência. Do incidente do "Lawyer Cat" no Zoom durante a pandemia às sanções recentes contra advogados que apresentaram petições com citações alucinadas pelo ChatGPT, a relação da profissão com a automação tem sido marcada por constrangimento público e risco profissional.
Ainda assim, uma mudança estrutural está em curso. Para além das manchetes sobre petições desastrosas, existe uma realidade de fundo: o dever fiduciário do advogado. À medida que grandes modelos de linguagem e agentes de IA se tornam mais eficientes na revisão de documentos e na pesquisa jurídica, o "padrão de diligência" esperado de um profissional competente começa a evoluir. Se existe uma ferramenta capaz de reduzir custos de forma significativa ou de melhorar a precisão do trabalho, deixar de usá-la pode em breve ser visto não como uma escolha conservadora, mas como uma violação do dever para com o cliente.
Essa dinâmica cria um paradoxo para os céticos da IA. Em áreas como direito, medicina e contabilidade, a própria cautela que protege profissionais de novos riscos pode acabar expondo-os a ações por negligência — seja por ineficiência, seja por falha de supervisão. Conforme a tecnologia amadurece, a pergunta para o establishment jurídico já não é se confiam na máquina, mas se podem arcar com o custo de ignorá-la.
Com reportagem de Fast Company.
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