A integração da filosofia formal à vanguarda tecnológica deu um passo concreto com a contratação de Henry Shevlin pelo Google DeepMind. Ao deixar a Universidade de Cambridge para integrar a equipe interna da gigante de IA, Shevlin representa o reconhecimento crescente de que, à medida que agentes artificiais se tornam mais sofisticados, as questões que eles suscitam dizem menos respeito a código e mais a consciência, ética e à natureza estrutural da inteligência.

Essa busca por inteligência complexa volta-se, ao mesmo tempo, para o mundo natural. Novas análises de vocalizações de baleias sugerem um nível de sofisticação estrutural que espelha a linguagem humana, revelando uma complexidade oculta que existiu por milênios, em grande parte invisível aos instrumentos humanos. Na filosofia ambiental, pensadores como Alan Jacobs defendem uma mudança semelhante: abandonar a abstração da "Natureza" em favor de relações mais específicas e parciais, sugerindo que nossas obrigações morais são mais bem compreendidas pelo local e pelo particular do que pelo planetário.

Contudo, enquanto buscamos inteligência em máquinas e oceanos, nossas próprias instituições de ensino enfrentam uma crise de propósito. A ascensão do "degree hacking" e das "college speed runs" reflete uma transformação no ensino superior em que estudantes são tratados como clientes e diplomas como meras credenciais para o mercado de trabalho. Para conter essa erosão institucional, teóricos políticos como Hélène Landemore propõem olhar para assembleias cidadãs. Ao desenhar sistemas que priorizem as vozes dos mais quietos e introvertidos em detrimento das mais altas ou mais confiantes, a democracia poderia finalmente começar a acessar a expertise coletiva da maioria.

Com reportagem de Daily Nous.

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