A cena artística de Londres encontrou um novo cronista — ainda que um tanto indisciplinado — na Hollywood Superstar Review. Nascida da frustração de um "trio de ressaca" formado por um crítico, um artista e um autoproclamado preguiçoso, a plataforma rejeita o tom polido e orientado por assessorias de imprensa da mídia de arte tradicional. Em vez disso, funciona como observadora-participante, mapeando as exposições independentes e os circuitos sociais da cidade numa velocidade que espelha os próprios ciclos de redes sociais que ela critica.

Pseudônimos como escudo

O que distingue a Review é seu abraço calculado à pseudonímia. Os colaboradores escrevem sob nomes do primeiro escalão de Hollywood, de Sydney Sweeney a Timothée Chalamet. O artifício vai além do truque: funciona como escudo para uma crítica crua, "sem rodeios", que de outro modo seria sufocada pela polidez profissional do mundo da arte. Ao adotar essas personas de alto brilho, os autores criam espaço para edição mínima e produção em alta velocidade, capturando a energia desinibida dos primeiros tempos do discurso digital.

Arte, moda e a crítica possível

No fundo, o projeto reflete uma mudança na forma como a arte é consumida e discutida. À medida que o mundo da arte se funde cada vez mais com a estética e as estruturas sociais da indústria da moda, a Review se posiciona como registro e subproduto dessa "modificação pela moda". A sugestão implícita é que, numa era em que toda exposição é um evento social e todo participante é uma marca, a crítica mais honesta talvez venha daqueles dispostos a "tirar sarro" enquanto se escondem atrás do verniz de uma celebridade.

Com reportagem de i-D.

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