Automação como infraestrutura, não como aposta

Os imensos pavilhões do Georgia World Congress Center, em Atlanta, receberam a MODEX 2026 — um evento que deixou de ser uma feira de nicho para se tornar um termômetro abrangente da cadeia de suprimentos global. Com mais de 1.000 expositores e 50.000 visitantes, a escala do encontro reflete uma mudança estrutural: automação não é mais um luxo especulativo para poucos, mas a infraestrutura básica para muitos. O piso da feira este ano foi definido não apenas pelo zumbido das máquinas, mas por uma indústria às voltas com as complexidades da interoperabilidade e o amadurecimento da inteligência artificial.

Armazenamento, paletes mistos e as tarefas mais pesadas

A disputa no segmento de sistemas automatizados de armazenamento e recuperação (ASRS) se acirrou, com empresas consolidadas como a AutoStore enfrentando desafiantes como a Attabotics. Enquanto isso, a busca pelo chamado "rainbow pallet" — a capacidade de montar cargas mistas com precisão cirúrgica — ganhou destaque em colaborações entre FANUC e Angelini Technologies. Para além do armazenamento puro, o foco se deslocou para manipulação móvel e descarregamento de caminhões, áreas em que empresas como Boston Dynamics e Slip Robotics tentam automatizar os nós mais fisicamente exigentes e imprevisíveis da cadeia logística.

Humanoides e IA: do piloto ao sistema

Talvez o sinal mais revelador tenha sido a evolução do discurso sobre humanoides e IA. O robô de propósito geral ainda é um trabalho em andamento, mas sua proximidade com o chão de armazém nunca pareceu tão real. A narrativa predominante na MODEX 2026 sugere que o futuro da logística será definido pela capacidade de integrar esses agentes aos fluxos de trabalho existentes de forma fluida — superando a era dos programas-piloto isolados e entrando num período de implantação profunda e sistêmica.

Com reportagem de The Robot Report.

Source · The Robot Report