O cenário energético global entrou em um período de volatilidade sem precedentes, segundo Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA). Em entrevista recente à France Inter, Birol classificou a situação atual como a "maior crise da história" — uma convergência de choques geopolíticos que superou os embargos de petróleo dos anos 1970 tanto em escala quanto em complexidade.

O principal fator por trás dessa avaliação é o efeito cumulativo de dois grandes conflitos. Enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia já havia cortado boa parte do acesso europeu ao gás natural, a escalada das hostilidades envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel passou a estrangular o Estreito de Ormuz. Como rota de trânsito de cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito (LNG), qualquer interrupção no Estreito funciona como um multiplicador de força para a inflação global e a escassez de oferta.

Ao contrário dos choques isolados de 1973 ou 1979, a crise atual é uma emergência de dupla commodity, que afeta simultaneamente gasolina e gás. Para mitigar o impacto, a IEA autorizou a liberação recorde de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas. As declarações de Birol, no entanto, sugerem que essas medidas táticas são apenas ações de contenção diante de uma mudança sistêmica na forma como a energia é assegurada e comercializada em um mundo cada vez mais fragmentado.

Com reportagem de InfoMoney.

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