No silêncio de um leito de lago seco próximo ao equador marciano, o rover Curiosity, da NASA, revelou um registro químico de 3,5 bilhões de anos. A sonda identificou recentemente sete moléculas orgânicas preservadas no sedimento, cinco das quais jamais haviam sido observadas no Planeta Vermelho. Esses compostos costumam ser descritos como os "blocos fundamentais" da vida — a arquitetura complexa baseada em carbono necessária para a biologia tal como a conhecemos.

A análise, conduzida pelo laboratório embarcado do rover, funciona como um testemunho da habitabilidade perdida de Marte. Embora a presença de carbono orgânico não confirme a existência de vida microbiana antiga, ela prova que os ingredientes necessários estavam presentes durante a juventude mais úmida e quente do planeta. A descoberta sugere que, se Marte algum dia abrigou vida, suas impressões digitais químicas conseguiram sobreviver à radiação implacável e à dessecação dos éons seguintes.

A origem dessas moléculas, porém, segue sendo objeto de debate cauteloso. Cientistas observam que compostos assim podem ter sido entregues por meteoritos ou forjados por processos geológicos não biológicos. Por ora, a descoberta do Curiosity oferece um mapa, não um destino — confirmando que a superfície marciana é um ambiente químico muito mais complexo do que se imaginava.

Com reportagem de The Guardian Science.

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