O museu como repositório estático está dando lugar a algo mais fluido. Em Londres, o projeto V&A East representa uma guinada significativa para o Victoria and Albert Museum, que se expande para além de suas raízes tradicionais em South Kensington. Parte do complexo East Bank, no Queen Elizabeth Olympic Park, o novo espaço foi concebido para ser mais do que uma galeria — é um experimento sobre como instituições culturais podem se integrar ao tecido de uma paisagem urbana em rápida transformação.
Do outro lado do Atlântico, o Los Angeles County Museum of Art (LACMA) se aproxima da conclusão de sua própria transformação radical. As David Geffen Galleries, projetadas pelo arquiteto Peter Zumthor, provocaram intenso debate por sua estrutura horizontal, semelhante a uma ponte, que cruza a Wilshire Boulevard. Ao rejeitar a hierarquia vertical tradicional das alas de museu, o projeto busca criar uma experiência mais igualitária — embora continue sendo uma aposta de alto risco no futuro do museu enciclopédico no século 21.
Enquanto essas instituições se concentram no futuro de seus invólucros físicos, a arte em seu interior segue oferecendo uma ponte com o passado. Na National Gallery of Ireland, um olhar atento sobre a obra de William Blake funciona como lembrete de que o poder visionário do artista individual permanece no centro em torno do qual esses imensos projetos arquitetônicos se erguem. Seja num novo pavilhão de concreto na Califórnia ou num canto revitalizado do leste de Londres, o objetivo continua o mesmo: oferecer um santuário para a imaginação humana.
Com reportagem de The Art Newspaper.
Source · The Art Newspaper



