O fim da entrada sem burocracia

A passagem sem entraves que há décadas define a relação de viagem entre Brasil e União Europeia está com os dias contados. A partir do último trimestre de 2026, o European Travel Information and Authorization System (ETIAS) se tornará requisito obrigatório para cidadãos de mais de 60 países que hoje desfrutam de entrada sem visto no Espaço Schengen. A mudança afasta a Europa do modelo tradicional de "só passaporte" e a aproxima de uma postura de segurança mais rigorosa, orientada por dados.

Como funciona o sistema

Concebido nos moldes do ESTA, o sistema americano de autorização eletrônica, o ETIAS foi projetado para funcionar como um filtro digital. Antes do embarque, o viajante precisa submeter dados pessoais e informações do passaporte por meio de um portal online. Essas informações são então cruzadas com diversas bases de dados de segurança europeias para identificar riscos potenciais antes que o passageiro sequer chegue ao aeroporto. Para quem está acostumado à espontaneidade das viagens transatlânticas, o sistema acrescenta uma nova camada de burocracia: sem autorização válida, o embarque será negado ainda no país de origem.

Quem é afetado — e quem está isento

A exigência vale para estadias curtas de até 90 dias dentro de um período de 180 dias — a duração padrão para turismo, negócios ou trânsito. Embora a mudança represente um obstáculo significativo para milhões de viajantes, certos grupos permanecem isentos, entre eles portadores de vistos Schengen válidos, residentes legais de países da UE e detentores de autorizações de estudo ou trabalho de longa duração. À medida que o prazo de 2026 se aproxima, a implementação do ETIAS sinaliza uma tendência global mais ampla: o endurecimento das fronteiras digitais por meio de triagem algorítmica.

Com reportagem de InfoMoney.

Source · InfoMoney