A jornada de dez dias do Papa Leão pela África deixou de ser apenas uma maratona logística para se transformar em uma crítica contundente às estruturas globais de poder. Em discurso em Saurimo, Angola, perto da fronteira com a República Democrática do Congo, o primeiro pontífice americano adotou a retórica mais dura de seu papado até agora, alertando que os marginalizados estão sendo "explorados por autoritários e enganados pelos ricos".

A visita marca uma mudança significativa para Leão, que mantinha um perfil relativamente discreto desde que assumiu a liderança dos 1,4 bilhão de fiéis da Igreja Católica, em maio passado. A turnê atual — que percorre 11 cidades e quase 18 mil quilômetros — o coloca em algumas das regiões mais instáveis do continente. Ao enquadrar a opressão e a desonestidade como negações diretas da doutrina cristã, o Papa posiciona o Vaticano como contrapeso moral aos movimentos populistas e nacionalistas que redesenham a política global.

O endurecimento do tom ocorre em meio a atritos crescentes com a Casa Branca. O presidente Donald Trump tem manifestado irritação frequente com o pontífice nascido nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que sua administração lida com crises diplomáticas complexas no Oriente Médio e no Sul da Ásia. Para Leão, a turnê africana vai além de uma visita pastoral: é a declaração de uma nova era, mais confrontacional, da diplomacia vaticana — uma que se recusa a permanecer em silêncio diante da violência sistêmica.

Com reportagem de InfoMoney.

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