Um marco de 1973

Em 1973, manipular materiais industriais era tanto uma demonstração de capacidade técnica quanto uma escolha estética. Para a Marset, marca espanhola de iluminação, essa era ficou marcada pela Lauro, coleção desenhada por P. Aragay e J. Pérez Mateo. A linha se destacava pela haste e base contínuas em aço — uma silhueta que, naquele momento, levava ao limite o que era possível fazer com aço dobrado a frio.

Geometria fluida, função precisa

A reedição preserva a geometria fluida do projeto original. As hastes tubulares parecem se derramar sobre as superfícies, criando uma transição sem emendas entre estrutura e base. A essa continuidade estrutural soma-se uma flexibilidade funcional: as cúpulas de metacrilato podem ser ajustadas verticalmente ao longo da haste e giradas para direcionar a luz com precisão. A decisão da Marset de trazer a Lauro de volta — incluindo as versões originais de mesa e piso, além de uma nova iteração de parede — sugere a convicção de que a "linguagem emocional" dos anos 1970 permanece vital nos espaços contemporâneos.

Permanência num mundo efêmero

Embora os materiais — aço, cromo e metacrilato — sejam tradicionais, a Lauro representa uma filosofia específica de permanência. Numa época de interfaces digitais efêmeras, cresce a demanda por objetos com volume físico e peso histórico. A coleção funciona como lembrete de que os projetos industriais mais bem-sucedidos são aqueles que resolvem desafios técnicos com tamanha elegância que, com o tempo, parecem não exigir esforço algum.

Com reportagem de Dezeen.

Source · Dezeen