Sanções porosas

O mercado global de energia está se mostrando mais permeável do que as sanções ocidentais pretendiam. O apetite da Índia por petróleo russo — em especial o tipo Urals, principal referência do país — deve se manter em níveis recordes ao longo de abril e maio. Essa persistência indica que a arquitetura econômica desenhada para isolar Moscou está sendo contornada por uma combinação de isenções oficiais concedidas pelos Estados Unidos e pela agilidade de operadores de transporte marítimo não alcançados pelas sanções.

Volumes recordes

A escala do comércio é expressiva. Em março, a Índia importou um recorde de 2,25 milhões de barris por dia (bpd) da Rússia — quase o dobro do volume registrado no mês anterior. Com esse salto, o petróleo russo passou a responder por cerca de metade de todas as importações indianas. Houve uma breve queda em meados de abril, mas analistas a atribuem menos a mudanças de política e mais a uma realidade tática do conflito: ataques de drones ucranianos a portos russos no fim de março causaram gargalos logísticos temporários que já começam a se dissipar.

Interesses convergentes

Para Moscou, essas exportações robustas funcionam como uma linha de financiamento vital, reabastecendo cofres públicos fortemente pressionados pela campanha militar em curso na Ucrânia. Para Nova Déli, o arranjo garante fornecimento estável de energia com desconto. Enquanto os Estados Unidos continuarem a conceder isenções específicas e as refinarias indianas conseguirem operar com uma frota de navios fora do alcance das sanções, o fluxo de petróleo Urals dificilmente vai arrefecer — o que evidencia os limites inerentes da pressão econômica como instrumento geopolítico em um mundo multipolar.

Com reportagem de InfoMoney.

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