Uma crônica de objetos grandes demais para guardar
A história do modernismo de meados do século XX é, com frequência, uma crônica de objetos grandes demais para serem conservados, mas significativos demais para serem de fato destruídos. Em Detroit, a obra de Harry Bertoia — escultor, designer e artista sonoro nascido na Itália — passa por uma ressurreição ao mesmo tempo literal e metafórica. Uma escultura suspensa de 26 pés (cerca de 7,9 metros), encomendada em 1970 e há muito dada como perdida sob os escombros de uma demolição, reapareceu de um porão para se tornar a peça central de uma nova retrospectiva no Cranbrook Academy of Art.
A obra foi originalmente encomendada pela J.L. Hudson Company para o Genesee Valley Mall em Flint, Michigan. Trata-se de um arranjo gestual de hastes de aço revestidas em latão e bronze fundidos — uma síntese característica de Bertoia entre materiais industriais e forma orgânica. Transferida para o Northland Mall em 1980, a escultura desapareceu do olhar público e acabou se tornando um fantasma da demolição subsequente do edifício. Somente em 2017, membros da Southfield Arts Commission encontraram a peça abandonada em um porão durante uma inspeção de rotina.
A redescoberta coincide com o 90º aniversário da chegada de Bertoia a Cranbrook, sua alma mater e a instituição que ajudou a definir a estética americana de meados do século. O retorno do artista aos holofotes evidencia a condição precária da arte pública no Meio-Oeste americano, onde obras-primas frequentemente se tornam dano colateral das fortunas cambiantes da arquitetura comercial. Enquanto a escultura é restaurada, ela funciona como lembrete de que mesmo as mais imponentes estruturas de aço podem ser esquecidas — e, com paciência suficiente, reencontradas.
Com reportagem de Hyperallergic.
Source · Hyperallergic



