Enquanto celebra quatro séculos de existência como um dos pilares da ciência mundial, o Museu Nacional de História Natural (MNHN) da França enfrenta um paradoxo cruel. Apesar do recorde de público e do prestígio acadêmico inabalável, os bastidores da instituição revelam um cenário de abandono estrutural que coloca em risco séculos de conhecimento acumulado.

O alerta partiu de seu presidente, Gilles Bloch, que descreve uma realidade alarmante: bibliotecas inundadas, infiltrações crônicas e rachaduras que cortam as paredes de edifícios históricos. A situação mais dramática ocorre nas coleções osteológicas, onde a oscilação de umidade e temperatura faz com que ossos mineralizados sofram reações químicas e, nas palavras de Bloch, "explodam" literalmente, transformando fósseis raros em pó.

A crise não é apenas estética, mas uma ameaça direta à integridade do patrimônio científico global. O mofo consome exemplares botânicos únicos e a falta de investimentos em infraestrutura básica compromete a segurança de pesquisadores e visitantes. O grito de socorro do MNHN ressoa como um aviso sobre a fragilidade da memória científica diante da negligência orçamentária em um momento em que a preservação da biodiversidade nunca foi tão central.

Com informações de Le Monde Sciences.

Source · Le Monde Sciences