Uma doença frequente, mas invisível

A morte da atriz Nathalie Baye, em 17 de abril de 2026, trouxe de volta ao debate público a demência por corpos de Lewy (DCL), condição neurodegenerativa surpreendentemente comum e, ainda assim, frequentemente mal compreendida. Ofuscada pela presença cultural dominante do Alzheimer e do Parkinson, a DCL ocupa um terreno difícil entre as duas doenças, apresentando um mosaico complexo de sintomas cognitivos e motores que complica tanto o diagnóstico quanto o tratamento.

Do ponto de vista patológico, a doença é definida pelo acúmulo de "corpos de Lewy" — depósitos anormais da proteína alfa-sinucleína — nos neurônios cerebrais. Esses depósitos comprometem os mensageiros químicos responsáveis pela memória, pelo movimento e pelo humor. Como essas proteínas são também a marca registrada do Parkinson, e como o declínio cognitivo resultante pode mimetizar os estágios iniciais do Alzheimer, a DCL é frequentemente identificada de forma equivocada em suas fases iniciais, o que retarda o acesso a cuidados especializados para muitos pacientes.

Flutuações, alucinações e um corpo que trai

O que distingue a demência por corpos de Lewy é sua volatilidade. Pacientes costumam apresentar flutuações significativas no nível de alerta e na função cognitiva, oscilando entre clareza e confusão no intervalo de um único dia. A isso se somam alucinações visuais e transtorno comportamental do sono REM, além dos tremores físicos e da rigidez tipicamente associados ao Parkinson. É uma doença de sombras em movimento, na qual a realidade do paciente é comprometida tanto pela falência da mente quanto pela traição do corpo.

O desafio do reconhecimento

Apesar de ser a segunda forma mais frequente de demência degenerativa em idosos, a DCL sofre com a falta de conhecimento público. Ampliar a familiaridade clínica com seus marcadores específicos é essencial para o desenvolvimento de terapias direcionadas. À medida que a população global envelhece, compreender as nuances desse "meio-termo" da neurodegeneração será decisivo para garantir dignidade e manejo eficaz a quem convive com a progressão da doença.

Com reportagem de Sciences et Avenir.

Source · Sciences et Avenir