A imagem de um pôr do sol duplo sobre um horizonte desértico está gravada no imaginário coletivo graças a Star Wars, mas no universo real mundos semelhantes a Tatooine são extraordinariamente raros. Embora cerca de metade de todas as estrelas semelhantes ao Sol existam em pares binários, astrônomos há muito têm dificuldade em encontrar os sistemas planetários que, em tese, deveriam orbitá-los. Um novo estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters sugere que o responsável por essa ausência cósmica não é a falta de matéria, mas a física fundamental descrita por Albert Einstein.
A pesquisa indica que a complexa dança gravitacional de duas estrelas cria um ambiente hostil para planetas em formação. De acordo com os princípios da relatividade geral, a maneira como esses corpos massivos deformam o espaço-tempo introduz perturbações capazes de desestabilizar órbitas de forma mais agressiva do que a física newtoniana clássica previa. Nesses arranjos binários, as trajetórias orbitais estáveis são frequentemente rompidas, levando planetas a serem ejetados para o espaço profundo ou arrastados para uma rota de colisão terminal com suas estrelas hospedeiras.
A descoberta reformula nossa compreensão da formação planetária como um equilíbrio delicado entre matéria e a geometria do próprio espaço. Embora o universo esteja repleto de estrelas binárias, a matemática da relatividade geral sugere que as serenas paisagens de dois sóis da ficção científica são provavelmente a exceção, não a regra. A arquitetura do cosmos, ao que tudo indica, é bem menos hospitaleira à companhia planetária do que nossos modelos um dia imaginaram.
Com reportagem de Exame Inovação.
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