Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-estrategista-chefe de câmbio do Goldman Sachs, faz uma aposta ousada e contrária ao consenso sobre o real brasileiro. Embora a instabilidade geopolítica costume empurrar investidores para a segurança percebida do dólar americano, Brooks argumenta que uma eventual escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã pode funcionar como um catalisador improvável para uma valorização expressiva do real — potencialmente abaixo da marca de R$ 4,50.
A projeção se sustenta na mudança de dinâmica dos fluxos globais de capital em momentos de diplomacia de alto risco e conflito. Na visão de Brooks, a estrutura da economia brasileira — fortalecida pelo papel do país como grande exportador de commodities — o posiciona para capturar valor caso os mercados globais de energia ou as rotas comerciais sejam desorganizados pela volatilidade no Oriente Médio. É uma perspectiva que reenquadra o risco geopolítico não apenas como fonte de ansiedade nos mercados, mas como fator de reordenamento das cotações cambiais.
Para o Brasil, um retorno ao patamar de R$ 4,50 representaria uma das valorizações mais expressivas dos últimos anos, desafiando a narrativa predominante de uma moeda permanentemente enfraquecida. Embora projeções desse tipo estejam sujeitas à imprevisibilidade inerente tanto a conflitos internacionais quanto à política dos bancos centrais, a análise de Brooks sugere que a hegemonia do dólar pode enfrentar um teste inesperado vindo do Hemisfério Sul.
Com reportagem de Exame Inovação.
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