A edição mais recente da mostra Greater New York, no MoMA PS1, funciona como uma cartografia da psique atual da cidade. Distribuída por três andares de uma antiga escola pública reaproveitada, a exposição vai além do prestígio abstrato para capturar o que se poderia chamar de textura vivida da cidade. É uma coleção que encontra ressonância no mundano e no áspero: as luvas improvisadas dos entregadores de e-bike, a geometria vertical dos canos de radiadores a vapor e a presença onipresente da resiliente população de roedores da cidade.
Esse foco na realidade granular da vida urbana se estende às figuras que circulam pelos corredores do poder. Rama Duwaji, primeira-dama da cidade de Nova York, navega atualmente uma narrativa que transcende o escrutínio tabloidesco sobre sua presença adolescente nas redes sociais. Em conversas recentes, Duwaji emerge como uma artista cujo trabalho e cuja perspectiva estão profundamente integrados ao tecido criativo da cidade, oferecendo um contraponto à imagem pública frequentemente achatada das figuras políticas.
No outro extremo do espectro cronológico e geográfico da cidade está Joan Semmel. Presença nonagenária da cena artística de Spring Street, os retratos provocadores e estranhos de Semmel — atualmente em exibição no Jewish Museum e na Alexander Gray Associates — constroem uma ponte necessária entre a vanguarda histórica de Nova York e suas ansiedades contemporâneas. Sua obra permanece como testemunho do poder duradouro do olhar artístico numa cidade que se reinventa constante e, muitas vezes, caoticamente.
Com reportagem de Hyperallergic.
Source · Hyperallergic



