No fim dos anos 1990, Renato Valcarengh Nunes era figura conhecida no centro de Caxias do Sul, polo industrial da Serra Gaúcha. Aos 17 anos, seu universo profissional se resumia aos R$ 150 que recebia por mês como office boy — função que exigia percorrer a pé a paisagem burocrática e física da cidade. Era um posto de pouca influência, mas de grande exposição: uma visão rente ao chão de como funciona uma empresa de serviços, de baixo para cima.
A trajetória de Nunes na Exímia, empresa especializada em soluções de impressão e gestão de documentos, não se definiu por uma virada repentina nem por uma disrupção financiada por venture capital. Seguiu, em vez disso, um padrão de absorção institucional. Ao longo de duas décadas, ele percorreu os escalões de vendas e operações até se posicionar para adquirir a empresa de seus fundadores originais. A transição de mensageiro a proprietário reflete uma forma rara de continuidade corporativa, em que a memória institucional do funcionário de base se converte, com o tempo, na lógica que orienta a sala de reuniões.
Hoje, a Exímia opera numa escala significativamente diferente daquela que Nunes encontrou quando entrou como adolescente. Com faturamento anual de R$ 77 milhões, a companhia deixou para trás o modelo simples de locação de equipamentos e migrou para uma operação mais sofisticada de terceirização de documentos digitais e gestão de fluxos de trabalho. Numa época em que muitos empreendedores buscam construir e vender rápido, a história de Nunes é um estudo sobre o valor de longo prazo de permanecer no mesmo lugar — transformando um conhecimento profundo da logística regional em uma empresa dominante.
Com reportagem de Exame Inovação.
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