A personagem Miranda Priestly, eternizada por Meryl Streep no filme O Diabo Veste Prada (2006), se consolidou como sinônimo cinematográfico do universo implacável e meticuloso da alta-moda. Embora o longa apresente uma caricatura exagerada do poder editorial, suas bases estão fincadas nos corredores muito reais da Condé Nast. Especialistas do setor e historiadores da época apontam de forma consistente para Anna Wintour, a longeva editora-chefe da Vogue, como principal inspiração para o papel.

A conexão vai além de mera especulação. Lauren Weisberger, autora do romance de 2003 que deu origem ao filme, trabalhou como assistente pessoal de Wintour antes de migrar para a ficção. A revista "Runway" da trama é um disfarce transparente para a Vogue, e o estilo de liderança gélido e exigente atribuído a Priestly espelha os padrões profissionais lendários — ainda que frequentemente mitificados — que Wintour sustentou ao consolidar sua influência sobre o cenário global da moda.

Para além das fofocas, o fascínio duradouro por Priestly — e, por extensão, por Wintour — reflete uma era específica da história da mídia. Um tempo em que uma única voz editorial podia ditar o sucesso comercial de uma coleção e moldar a direção estética do mercado de luxo. Embora a era digital tenha descentralizado boa parte desse poder, o arquétipo da guardiã intransigente permanece como pilar central da mitologia interna da indústria da moda.

Com reportagem de Exame Inovação.

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