Reputação no alto padrão, aposta no popular

Durante anos, a Trisul construiu sua reputação no mercado residencial de médio e alto padrão brasileiro, atendendo um público que valoriza acabamentos premium e localizações privilegiadas. Mas o primeiro trimestre de 2024 sinalizou uma recalibragem estratégica. Diante de um cenário em que os juros elevados praticamente congelaram o financiamento bancário para a classe média, a incorporadora está deslocando seu peso para o Minha Casa Minha Vida (MCMV), o programa federal de habitação de baixa renda.

Os números da virada

Os resultados refletem essa guinada. A Trisul lançou três novos projetos entre janeiro e março, com valor geral de vendas (VGV) de R$ 542 milhões — alta de 18,9% sobre o mesmo período do ano anterior e bem acima das projeções de analistas. O dado mais relevante: dois dos três lançamentos foram dedicados ao segmento MCMV, restando apenas um para a clientela tradicional de médio padrão. As vendas líquidas cresceram 39% na comparação anual, alcançando R$ 410 milhões, mas a velocidade de vendas arrefeceu — o indicador de vendas sobre oferta (VSO) recuou de 13,1% para 11,4% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior.

Pragmatismo, não recuo

A transição é menos uma retirada do que uma proteção pragmática. Analistas do BTG Pactual mantêm recomendação de compra para a ação, citando a maior exposição da companhia a um público menos sensível às oscilações do crédito privado e mais amparado por subsídios públicos. Enquanto o custo do crédito segue como barreira para a classe média aspiracional, a Trisul está descobrindo que o caminho mais confiável para o crescimento passa pelos alicerces da habitação popular.

Com reportagem de Metro Quadrado.

Source · Metro Quadrado