O estado sem atrito
Num passo adiante no esforço de isolar o aparato estatal das fricções da governança doméstica, um novo estudo da Polícia Armada do Povo da China (PAP, na sigla em inglês) propõe uma mudança de paradigma no controle de multidões: a remoção total de agentes humanos da linha de frente. A pesquisa descreve um sistema em que veículos blindados autônomos, drones e "cães-robôs" quadrúpedes atuam como interface primária entre o governo e manifestantes em ambientes urbanos.
Máquinas nas ruas
A proposta se sustenta na integração de sistemas não tripulados para lidar com a complexidade das ruas de grandes cidades. Essas máquinas seriam responsáveis por tudo — de reconhecimento e emissão de alertas sonoros à aplicação de medidas dissuasivas não letais. Ao substituir policiais de choque por aço e silício, a PAP pretende reduzir os riscos físicos para seu efetivo e, em tese, tornar mais ágil o processo decisório por meio de protocolos automatizados.
A lógica fria do algoritmo
Essa mudança aprofunda o compromisso da China com a chamada "segurança tecnológica", em que a fricção da empatia humana ou da hesitação é eliminada por design. Embora o estudo se concentre em eficiência e segurança operacional, o uso de máquinas autônomas para gerenciar desobediência civil levanta questões profundas sobre o futuro da dissidência. Quando a resposta do Estado a um protesto é inteiramente mecanizada, a dinâmica tradicional de accountability política dá lugar à lógica fria de um algoritmo.
Com reportagem de El Confidencial.
Source · El Confidencial — Tech
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F580%2F8cf%2Fea7%2F5808cfea7d571deaf6eafcd0a38f935b.jpg)


