Recalibragem silenciosa

O mercado corporativo de São Paulo passa por uma recalibragem silenciosa. Com a saída do Banco Master do Auri Plaza Faria Lima, 14 mil metros quadrados de área nobre na Vila Olímpia foram colocados à disposição do mercado. Em outros tempos, uma vacância dessa escala poderia sinalizar retração. Desta vez, o efeito foi o oposto: duas grandes instituições financeiras já demonstraram interesse em ocupar o edifício inteiro, como inquilino único.

O modelo monousuário ganha força

O movimento reflete uma tendência mais ampla na capital comercial do país: a busca pelo modelo monousuário. Antes da pandemia, demandas por espaços contíguos superiores a 10 mil metros quadrados eram raras — aconteciam uma ou duas vezes por ano. Hoje, tornaram-se recorrentes. Impulsionadas por políticas agressivas de retorno ao escritório e pelo desejo de reunir equipes dispersas sob o mesmo teto, as empresas estão priorizando metragem em detrimento de flexibilidade, numa aposta em ganhos de produtividade.

Consolidação em números

Os números sustentam essa virada. No primeiro trimestre deste ano, o tamanho médio das locações em São Paulo subiu para 1.923 metros quadrados — o maior patamar desde o fim de 2022. Enquanto empresas como o Banco Master devolvem espaços — ao todo, 22 mil metros quadrados em diferentes pontos da cidade —, a vacância é rapidamente absorvida por players em expansão, como a Shopee. Numa cidade onde espaços premium são cada vez mais escassos, a era do escritório fragmentado pode estar dando lugar ao campus corporativo centralizado.

Com reportagem de Metro Quadrado.

Source · Metro Quadrado