Columbus, Indiana, funciona há décadas como um museu a céu aberto do rigor elevado do modernismo de meados do século XX. A pequena cidade no Meio-Oeste americano abriga uma concentração extraordinária de edifícios projetados por alguns dos arquitetos mais celebrados do século passado — Eero Saarinen, I.M. Pei, Richard Meier, entre outros — resultado de um programa de patronato mantido por décadas pela Cummins Foundation, que subsidiava honorários de projeto para atrair talentos de primeira linha a uma cidade de escala modesta. O legado é notável, mas também, por sua própria natureza, verticalizado: arquitetura concebida nos escritórios de luminares distantes, entregue a uma comunidade que a recebeu em vez de moldá-la.

Para a edição de 2023 da Exhibit Columbus, programa bienal que usa a cidade como laboratório vivo de arquitetura e design, o escritório Tatiana Bilbao ESTUDIO, sediado na Cidade do México, introduziu uma contranarrativa deliberada. A instalação, intitulada "Designed by the Public", ocupava quase 2.000 metros quadrados e funcionava menos como monumento acabado do que como estrutura flexível para a interação social — uma estrutura cuja forma e uso foram determinados, em parte significativa, pelos próprios moradores de Columbus.

Do auteur ao facilitador

A premissa de "Designed by the Public" parte de uma pergunta que ganhou força na arquitetura e no urbanismo nas últimas duas décadas: quem detém a autoria do espaço público? Columbus oferece uma lente particularmente nítida para examinar essa questão. O ambiente construído da cidade é produto de um modelo de patronato que, embora generoso, concentrou a autoridade projetual num círculo restrito de profissionais e benfeitores. Os cidadãos viviam cercados de obras-primas, mas tinham participação limitada na concepção delas.

O estúdio de Bilbao inverteu essa dinâmica. Ao convidar moradores para o processo de conceitualização — não apenas como consultores, mas como participantes ativos cujas preferências moldaram os resultados espaciais —, o projeto reposicionou o papel do arquiteto: de autor singular a facilitador de uma intenção coletiva. A instalação resultante não reivindicava pureza estética. Seu valor residia, antes, na capacidade de resposta: um espaço que podia ser reconfigurado, ocupado e reinterpretado segundo os ritmos da vida cotidiana, e não segundo os ditames de uma visão de projeto fixa.

Esse método participativo não é inédito. A tradição remonta pelo menos aos movimentos de design comunitário das décadas de 1960 e 1970, quando figuras como Giancarlo De Carlo, na Itália, e os advocacy planners nos Estados Unidos argumentavam que a arquitetura praticada sem a voz de seus usuários era, no melhor dos casos, incompleta. O que distingue esforços mais recentes — o de Bilbao entre eles — é a disposição de deixar o processo visível no produto final, de tratar a aspereza do insumo coletivo como qualidade, não como defeito.

A tensão que o modernismo deixou para trás

Columbus se situa na interseção de duas forças que definem boa parte do debate atual na arquitetura. De um lado, o apelo duradouro da obra autoral — o edifício como declaração cultural, legível e coerente, portando a assinatura de uma inteligência criativa singular. Do outro, uma insistência crescente de que o espaço público precisa responder às pessoas que o habitam diariamente, e não apenas aos padrões internos de excelência da disciplina.

Nenhuma das duas forças anula a outra. Os edifícios de Saarinen e Pei em Columbus continuam relevantes justamente por sua clareza de visão. Mas "Designed by the Public" levanta a possibilidade de que a relevância também pode emergir de um processo diferente — mais lento, menos resolvido visualmente e mais profundamente entrelaçado com o tecido social de um lugar. A instalação não rejeita a herança modernista de Columbus; antes, pergunta como seria um segundo capítulo, no qual excelência projetual e participação democrática não fossem tratadas como valores concorrentes.

A pergunta que permanece é se estruturas participativas desse tipo conseguem operar em escalas além da instalação temporária — se podem informar infraestrutura permanente, habitação, edifícios cívicos — ou se continuam mais eficazes como provocações dentro do ambiente controlado de uma bienal. Columbus, com sua densidade incomum de ambição arquitetônica e sua proximidade social de cidade pequena, talvez seja um dos poucos lugares onde esse experimento poderia plausivelmente avançar. Se a cidade optará por fazê-lo, isso dirá tanto sobre o futuro de sua identidade quanto as obras-primas que definiram seu passado.

Com reportagem de ArchDaily.

Source · ArchDaily