Por duas décadas, a Samsung ocupou o centro da sala de estar global — uma hegemonia construída sobre capacidade industrial e escala. Mas a geometria do mercado de televisores está mudando. No disputado segmento premium, a narrativa das alternativas chinesas "baratas" deu lugar a uma realidade mais desafiadora: a paridade técnica. Marcas como TCL e Hisense já não competem apenas por preço; estão vencendo em desempenho, sobretudo nas categorias de MiniLED e telas de grande formato.
Os dados do fim de 2024 ilustram esse avanço. A TCL ultrapassou recentemente a Samsung na categoria acima de 80 polegadas, conquistando 23% de participação de mercado contra 19% da incumbente. Enquanto isso, a Hisense abocanhou um quarto do mercado premium e apresentou tecnologias como o RGB MiniLED evo, que desafiam a precisão de cor e o brilho dos painéis OLED e LCD tradicionais. Para a Samsung, a disputa já não gira em torno de quem fabrica o maior ou o mais barato painel, mas de quem oferece uma razão mais coesa para a tela existir.
Charlie Bae, responsável pela divisão de produto de TVs da Samsung na Europa, indica que a defesa da empresa está no "ecossistema" — uma virada da venda de hardware para a venda de uma experiência integrada. À medida que a tecnologia de display atinge um patamar de excelência percebida, o diferencial passa a ser como a televisão interage com a arquitetura digital mais ampla da casa. Ao migrar de "volume para valor", a Samsung aposta que, numa era de hardware comoditizado, o software e a conectividade ao redor do vidro serão o que, no fim das contas, preserva seu legado.
Com reportagem de Xataka.
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