Moda e design industrial na mesma mesa

No cruzamento entre alta-costura e design industrial, o estúdio Issey Miyake apresentou uma coleção de móveis que reaproveita os resíduos do seu processo característico de plissagem. Feitas artesanalmente a partir de rolos compactos de papel recuperados da produção de roupas — cilindros densos que lembram toras —, as peças estrearam na Milan Design Week como um estudo de transformação material. As superfícies marmorizada e as formas orgânicas sugerem uma segunda vida para sobras industriais que normalmente desaparecem nos bastidores das passarelas.

Beleza versus função: uma tensão conhecida

A coleção reacendeu uma tensão recorrente no mundo do design: o atrito entre beleza estética e intenção funcional. Observadores elogiaram as paletas de cores sutis e a qualidade tátil dos rolos de papel, mas críticos questionaram a utilidade real dos projetos. Uma poltrona da coleção, em particular, foi enquadrada por alguns como exercício de arte escultórica, e não como mobiliário — um uso de materiais reaproveitáveis que prioriza a forma em detrimento da ergonomia necessária ao uso cotidiano.

Experimentação material em alta no ciclo atual

A estreia chega em paralelo a outras mudanças relevantes no ambiente construído que vêm pautando o debate recente sobre design. Do centro de artes cênicas revestido de alumínio projetado pelo BIG em Nashville à inauguração do V&A East Museum em Londres, o ciclo atual de design está cada vez mais voltado à experimentação com texturas e à ressignificação de motivos industriais. A incursão de Miyake no mobiliário sugere que até os resíduos de manufatura mais especializados podem ser elevados à condição de objeto permanente — desde que o observador aceite uma definição mais estreita de utilidade.

Com reportagem de Dezeen.

Source · Dezeen