Pré-preenchida tropeça na troca de sistemas

O projeto ambicioso do Brasil rumo à declaração de imposto de renda totalmente automatizada encontrou um obstáculo técnico relevante. No início da temporada de entrega de 2026, um número expressivo de contribuintes descobriu que suas declarações pré-preenchidas foram sinalizadas por inconsistências. Entidades contábeis estimam que cerca de 20% dos contribuintes que entregaram a declaração nos primeiros dias encontraram erros nos dados importados automaticamente pela Receita Federal, o que provocou um pico temporário no volume de declarações retidas em malha fina.

Origem do problema: DIRF dá lugar ao eSocial e à EFD-Reinf

O atrito tem raiz em uma mudança estrutural na forma como o governo federal coleta dados financeiros. O modelo tradicional de declaração via DIRF foi descontinuado em favor do eSocial e da EFD-Reinf — sistemas mais granulares, desenhados para simplificar a escrituração corporativa. A transição, porém, não foi suave. Nos primeiros dias da temporada, quase 15% das declarações enviadas foram retidas, uma taxa significativamente acima da média histórica, à medida que divergências entre as informações prestadas pelas empresas e as declarações individuais vieram à tona.

Estabilização em curso, mas responsabilidade segue com o contribuinte

Autoridades federais indicam que a situação está se estabilizando conforme as empresas retificam seus registros digitais. A taxa de retenção já recuou para abaixo de 8%, sinalizando que os fluxos de dados subjacentes começam a convergir. Para o contribuinte, o episódio funciona como lembrete: embora a automação prometa conveniência, o ônus da verificação continua sendo pessoal. À medida que a Receita Federal aperta sua rede digital, a declaração pré-preenchida segue sendo um rascunho que exige revisão humana.

Com reportagem de InfoMoney.

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