Carros elétricos saem das fábricas, mas baterias vêm de fora

O México é o sexto maior fabricante de automóveis do mundo, uma potência manufatureira que conseguiu se reposicionar rumo ao futuro elétrico com modelos como o Ford Mustang Mach-E. No entanto, embora os veículos sejam montados em solo mexicano, o coração de seus sistemas de propulsão continua sendo importado. Quatro anos após uma reforma emblemática na Lei de Mineração declarar o lítio patrimônio nacional, o sonho de uma cadeia de baterias integralmente "Made in Mexico" permanece distante.

A legislação de 2020 colocou a exploração e a extração de lítio sob controle exclusivo do Estado, uma medida voltada a garantir soberania sobre o recurso. A transição do potencial geológico para a realidade industrial, porém, tem se mostrado lenta. Embora as fábricas mexicanas já sejam capazes de montar pacotes de baterias, as células de lítio de alta tecnologia que os alimentam ainda vêm do exterior. A infraestrutura necessária para conectar a extração mineral bruta à fabricação avançada de células simplesmente não existe.

"Difícil saber exatamente quando"

Autoridades do governo seguem cautelosas sobre quando esse ciclo poderá enfim se fechar. Rodolfo Osorio, diretor de eletromobilidade no Ministério da Economia, reconheceu recentemente que é "difícil saber exatamente quando" a produção doméstica de baterias terá início. Universidades técnicas e institutos de pesquisa lideram atualmente os estudos sobre processamento de lítio, mas o salto para a produção em escala comercial continua travado pela complexidade do refino e pela tecnologia especializada exigida na fabricação de células.

Reservas no subsolo, dependência no mercado global

Por ora, o México se encontra num período de espera industrial. O país possui as reservas minerais e uma infraestrutura de montagem automotiva de classe mundial, mas o tecido conectivo — a capacidade doméstica de transformar minério em armazenamento de energia — ainda não foi construído. Enquanto essa ponte não for cruzada, as ambições elétricas do país continuarão dependendo de cadeias globais de suprimento para o próprio mineral que declarou como seu.

Com reportagem de Expansión MX.

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