O presidente Donald Trump sinalizou nesta semana uma possível mudança de postura do governo federal em relação à Anthropic, sugerindo que um acordo para integrar os modelos de IA da startup ao Departamento de Defesa é "possível". Em entrevista à CNBC, o presidente confirmou que representantes da empresa, sediada em San Francisco, estiveram recentemente na Casa Branca para conversas que ele descreveu como produtivas. As declarações representam uma guinada de tom notável para uma administração que, até pouco tempo atrás, classificava a desenvolvedora de IA como ameaça à segurança nacional.

A relação entre o Executivo americano e a Anthropic tem sido marcada por contradições. Em março, o Departamento de Defesa classificou a empresa como "risco à cadeia de suprimentos" — um rótulo agressivo, normalmente reservado a entidades estrangeiras adversárias, não a líderes tecnológicos domésticos. A designação impediu, na prática, que fornecedores federais utilizassem os modelos Claude da Anthropic — medida reforçada por publicações do próprio presidente no Truth Social, nas quais ele exigia a cessação imediata de todos os negócios com a empresa.

Apesar do bloqueio oficial, as exigências práticas da guerra moderna mantiveram as duas partes entrelaçadas. A tecnologia da Anthropic teria sido utilizada em operações em andamento envolvendo o Irã, mesmo enquanto a empresa movia ações judiciais em San Francisco e Washington D.C. para derrubar as restrições do Pentágono. Com a recente concessão de uma liminar favorável à startup por um juiz federal, a nova abertura da Casa Branca sugere uma percepção pragmática: o apetite militar por modelos avançados de raciocínio pode, no fim das contas, pesar mais do que a vontade política de manter um embargo total.

Com reportagem de Olhar Digital.

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